Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga
Brasília, tantas vezes vendida como “capital do rock”, carrega em sua memória coletiva o peso dos anos 80 e a aura nostálgica de bandas que se tornaram símbolos nacionais. Mas enquanto o Plano Piloto se orgulhava de sua estética modernista e de sua rebeldia domesticada, Ceilândia e suas satélites viviam outra história — menos plástica, mais visceral. Foi ali, nas margens, que nasceu em 1996 a Barbarella B, e é dali que se ergue o Manifesto Modo B, um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra o empacotamento da rebeldia em moldes prontos para consumo.
A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.
Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.
A trajetória da banda é marcada pela independência e pela militância cultural. Uma fita demo, três EPs, participação na coletânea AMP.SÔNICA (2000), presença em festivais como Cult 22, Ferrock, Módulo B, Carnarock e tantos outros. Shows em casas e bares do DF e entorno, sempre reafirmando sua identidade autoral. Mais do que ocupar palcos, a Barbarella B produz e organiza eventos, incentivando outras bandas independentes a se apresentarem e a fortalecerem a cena. É uma postura que vai além da música: é compromisso com a coletividade, é resistência contra a lógica que reduz a arte periférica a produto secundário.
O Manifesto Modo B é o pano de fundo dessa história. Nas ruínas do lendário Módulo B, o coletivo se estabelece como alternativa de resistência, abrindo espaço para o rock alternativo e para novas manifestações artísticas do underground. É a afirmação de que a verdadeira contestação nasce da periferia, com autenticidade e suor. Enquanto muitas bandas buscam ser o “novo Legião” ou o “novo Capital”, a Barbarella B reafirma que não há necessidade de suceder ninguém: há necessidade de existir, de criar, de incendiar consciências.
No festival Rock Periférico, na Casa do Cantador, a Barbarella B mostrou por que é uma das bandas mais autênticas da cena. Com suor, intensidade e teatralidade, levou Ceilândia a um transe urbano. Cada acorde foi manifesto, cada riff foi resistência. O público respondeu com entusiasmo, transformando o show em grito coletivo. Não era apenas música: era identidade, era arte que nasce da periferia e se recusa a ser reduzida a produto nostálgico.
Em sua formação atual — Robson Gomes (guitarra e vocal), Sérgio Passos (guitarra e órgão), Robson Freitas (bateria e percussão), Ulisses França (baixo, guitarra e violão) e Thomé de Souza (baixo e vocal) — a Barbarella B segue incendiando palcos e consciências. Sua música é dança e reflexão, catarse e crítica, festa e denúncia. É a prova viva de que Ceilândia não é apenas cidade-dormitório, mas metrópole criativa, moderna e diversa, capaz de reinventar o rock brasileiro a partir de suas margens.
A Barbarella B é, em essência, um manifesto sonoro. É o grito da periferia candanga, que insiste em dizer que o novo olhar sobre o outro e o outro olhar sobre o novo só podem nascer onde a vida pulsa sem maquiagem. E é nesse pulsar que a banda se torna vanguarda — não por estar à frente de seu tempo, mas por estar profundamente enraizada em seu presente.
Brasília pode ter sido vendida como “capital do rock”, mas a sua periferia sempre escreveu outra narrativa — menos plástica, mais visceral, mais verdadeira. Enquanto o Plano Piloto se embalava em rebeldias domesticadas e em ícones dos anos 80 transformados em produto nostálgico, Ceilândia e suas satélites pulsavam em outra frequência: fanzines xerocados, bares improvisados, riffs distorcidos e letras que falavam da vida real. É nesse terreno fértil que nasce, em 1996, a Barbarella B, e é desse mesmo terreno que brota o Manifesto Modo B: um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra a falsa rebeldia que se acomoda em moldes prontos.
A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.
Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.
Linha do tempo comentada da Barbarella B
1996 – Formação da banda em Ceilândia. Nasce como power trio, já com a proposta de unir garage rock e samba-rock em uma linguagem autoral.
1998–1999 – Primeiras apresentações em festivais locais como Bandeit e Ferrock, consolidando sua presença na cena independente do DF.
2000 – Participação na coletânea AMP.SÔNICA, lançada pelo selo Solaris Discos de Natal/RN, ao lado de onze bandas de várias localidades do país. Esse registro marca a inserção da Barbarella B em um circuito nacional alternativo.
2003–2005 – Presença constante no Despertar Cultural e no Festival Cult 22, reafirmando sua identidade autoral e sua militância cultural.
2006 – Atuação no lendário Festival Módulo B, que mais tarde inspiraria o coletivo Modo B, símbolo da resistência cultural periférica.
2009 – Participação na coletânea Zine Oficial, ampliando sua discografia independente.
2010–2020 – Shows em casas e bares de Brasília e entorno, sempre reafirmando sua postura de valorização das bandas autorais.
2024 – Presença marcante no Carnarock, mostrando que a banda segue ativa e relevante quase três décadas após sua formação.
2025 – Apresentação memorável no Rock Periférico, na Casa do Cantador, em Ceilândia. O show é descrito como transe urbano, manifesto sonoro e grito coletivo.
2026 – A Barbarella B segue como quarteto, com Robson Gomes (guitarra e vocal), Sérgio Passos (guitarra e órgão), Robson Freitas (bateria e percussão), Ulisses França (baixo, guitarra e violão) e Thomé de Souza (baixo e vocal).
A Barbarella B é mais que música: é performance, é resistência, é celebração da periferia como centro criativo. Sua arte é um convite a dançar e pensar, a sentir e refletir. É a prova de que o rock candango não é apenas sobrevivência, mas invenção — e que das ruas de Ceilândia brota um som capaz de incendiar corpos e consciências.
O Manifesto Modo B é o pano de fundo dessa trajetória: nas ruínas do Módulo B, o coletivo se estabelece como alternativa de resistência, abrindo espaço para o rock alternativo e para novas manifestações artísticas do underground. A Barbarella B é sua face sonora mais emblemática, reafirmando que a verdadeira contestação nasce da periferia, com autenticidade e suor.
Mais que banda, mais que coletivo, mais que festival: é um novo olhar sobre o outro, um outro olhar sobre o novo. É o grito da periferia candanga, que insiste em existir e reinventar.
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