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terça-feira, 5 de maio de 2026

Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga

 

Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga

Brasília, tantas vezes vendida como “capital do rock”, carrega em sua memória coletiva o peso dos anos 80 e a aura nostálgica de bandas que se tornaram símbolos nacionais. Mas enquanto o Plano Piloto se orgulhava de sua estética modernista e de sua rebeldia domesticada, Ceilândia e suas satélites viviam outra história — menos plástica, mais visceral. Foi ali, nas margens, que nasceu em 1996 a Barbarella B, e é dali que se ergue o Manifesto Modo B, um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra o empacotamento da rebeldia em moldes prontos para consumo.

A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.

Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.

A trajetória da banda é marcada pela independência e pela militância cultural. Uma fita demo, três EPs, participação na coletânea AMP.SÔNICA (2000), presença em festivais como Cult 22, Ferrock, Módulo B, Carnarock e tantos outros. Shows em casas e bares do DF e entorno, sempre reafirmando sua identidade autoral. Mais do que ocupar palcos, a Barbarella B produz e organiza eventos, incentivando outras bandas independentes a se apresentarem e a fortalecerem a cena. É uma postura que vai além da música: é compromisso com a coletividade, é resistência contra a lógica que reduz a arte periférica a produto secundário.

O Manifesto Modo B é o pano de fundo dessa história. Nas ruínas do lendário Módulo B, o coletivo se estabelece como alternativa de resistência, abrindo espaço para o rock alternativo e para novas manifestações artísticas do underground. É a afirmação de que a verdadeira contestação nasce da periferia, com autenticidade e suor. Enquanto muitas bandas buscam ser o “novo Legião” ou o “novo Capital”, a Barbarella B reafirma que não há necessidade de suceder ninguém: há necessidade de existir, de criar, de incendiar consciências.

No festival Rock Periférico, na Casa do Cantador, a Barbarella B mostrou por que é uma das bandas mais autênticas da cena. Com suor, intensidade e teatralidade, levou Ceilândia a um transe urbano. Cada acorde foi manifesto, cada riff foi resistência. O público respondeu com entusiasmo, transformando o show em grito coletivo. Não era apenas música: era identidade, era arte que nasce da periferia e se recusa a ser reduzida a produto nostálgico.

Em sua formação atual — Robson Gomes (guitarra e vocal), Sérgio Passos (guitarra e órgão), Robson Freitas (bateria e percussão), Ulisses França (baixo, guitarra e violão) e Thomé de Souza (baixo e vocal) — a Barbarella B segue incendiando palcos e consciências. Sua música é dança e reflexão, catarse e crítica, festa e denúncia. É a prova viva de que Ceilândia não é apenas cidade-dormitório, mas metrópole criativa, moderna e diversa, capaz de reinventar o rock brasileiro a partir de suas margens.

A Barbarella B é, em essência, um manifesto sonoro. É o grito da periferia candanga, que insiste em dizer que o novo olhar sobre o outro e o outro olhar sobre o novo só podem nascer onde a vida pulsa sem maquiagem. E é nesse pulsar que a banda se torna vanguarda — não por estar à frente de seu tempo, mas por estar profundamente enraizada em seu presente.

Brasília pode ter sido vendida como “capital do rock”, mas a sua periferia sempre escreveu outra narrativa — menos plástica, mais visceral, mais verdadeira. Enquanto o Plano Piloto se embalava em rebeldias domesticadas e em ícones dos anos 80 transformados em produto nostálgico, Ceilândia e suas satélites pulsavam em outra frequência: fanzines xerocados, bares improvisados, riffs distorcidos e letras que falavam da vida real. É nesse terreno fértil que nasce, em 1996, a Barbarella B, e é desse mesmo terreno que brota o Manifesto Modo B: um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra a falsa rebeldia que se acomoda em moldes prontos.

A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.

Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.

Linha do tempo comentada da Barbarella B

  • 1996 – Formação da banda em Ceilândia. Nasce como power trio, já com a proposta de unir garage rock e samba-rock em uma linguagem autoral.

  • 1998–1999 – Primeiras apresentações em festivais locais como Bandeit e Ferrock, consolidando sua presença na cena independente do DF.

  • 2000 – Participação na coletânea AMP.SÔNICA, lançada pelo selo Solaris Discos de Natal/RN, ao lado de onze bandas de várias localidades do país. Esse registro marca a inserção da Barbarella B em um circuito nacional alternativo.

  • 2003–2005 – Presença constante no Despertar Cultural e no Festival Cult 22, reafirmando sua identidade autoral e sua militância cultural.

  • 2006 – Atuação no lendário Festival Módulo B, que mais tarde inspiraria o coletivo Modo B, símbolo da resistência cultural periférica.

  • 2009 – Participação na coletânea Zine Oficial, ampliando sua discografia independente.

  • 2010–2020 – Shows em casas e bares de Brasília e entorno, sempre reafirmando sua postura de valorização das bandas autorais.

  • 2024 – Presença marcante no Carnarock, mostrando que a banda segue ativa e relevante quase três décadas após sua formação.

  • 2025 – Apresentação memorável no Rock Periférico, na Casa do Cantador, em Ceilândia. O show é descrito como transe urbano, manifesto sonoro e grito coletivo.

  • 2026 – A Barbarella B segue como quarteto, com Robson Gomes (guitarra e vocal), Sérgio Passos (guitarra e órgão), Robson Freitas (bateria e percussão), Ulisses França (baixo, guitarra e violão) e Thomé de Souza (baixo e vocal).

A Barbarella B é mais que música: é performance, é resistência, é celebração da periferia como centro criativo. Sua arte é um convite a dançar e pensar, a sentir e refletir. É a prova de que o rock candango não é apenas sobrevivência, mas invenção — e que das ruas de Ceilândia brota um som capaz de incendiar corpos e consciências.

O Manifesto Modo B é o pano de fundo dessa trajetória: nas ruínas do Módulo B, o coletivo se estabelece como alternativa de resistência, abrindo espaço para o rock alternativo e para novas manifestações artísticas do underground. A Barbarella B é sua face sonora mais emblemática, reafirmando que a verdadeira contestação nasce da periferia, com autenticidade e suor.

Mais que banda, mais que coletivo, mais que festival: é um novo olhar sobre o outro, um outro olhar sobre o novo. É o grito da periferia candanga, que insiste em existir e reinventar.

Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga

 

Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga

Brasília, tantas vezes vendida como “capital do rock”, carrega em sua memória coletiva o peso dos anos 80 e a aura nostálgica de bandas que se tornaram símbolos nacionais. Mas enquanto o Plano Piloto se orgulhava de sua estética modernista e de sua rebeldia domesticada, Ceilândia e suas satélites viviam outra história — menos plástica, mais visceral. Foi ali, nas margens, que nasceu em 1996 a Barbarella B, e é dali que se ergue o Manifesto Modo B, um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra o empacotamento da rebeldia em moldes prontos para consumo.

A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.

Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.

A trajetória da banda é marcada pela independência e pela militância cultural. Uma fita demo, três EPs, participação na coletânea AMP.SÔNICA (2000), presença em festivais como Cult 22, Ferrock, Módulo B, Carnarock e tantos outros. Shows em casas e bares do DF e entorno, sempre reafirmando sua identidade autoral. Mais do que ocupar palcos, a Barbarella B produz e organiza eventos, incentivando outras bandas independentes a se apresentarem e a fortalecerem a cena. É uma postura que vai além da música: é compromisso com a coletividade, é resistência contra a lógica que reduz a arte periférica a produto secundário.

O Manifesto Modo B é o pano de fundo dessa história. Nas ruínas do lendário Módulo B, o coletivo se estabelece como alternativa de resistência, abrindo espaço para o rock alternativo e para novas manifestações artísticas do underground. É a afirmação de que a verdadeira contestação nasce da periferia, com autenticidade e suor. Enquanto muitas bandas buscam ser o “novo Legião” ou o “novo Capital”, a Barbarella B reafirma que não há necessidade de suceder ninguém: há necessidade de existir, de criar, de incendiar consciências.

No festival Rock Periférico, na Casa do Cantador, a Barbarella B mostrou por que é uma das bandas mais autênticas da cena. Com suor, intensidade e teatralidade, levou Ceilândia a um transe urbano. Cada acorde foi manifesto, cada riff foi resistência. O público respondeu com entusiasmo, transformando o show em grito coletivo. Não era apenas música: era identidade, era arte que nasce da periferia e se recusa a ser reduzida a produto nostálgico.

Em sua formação atual — Robson Gomes (guitarra e vocal), Sérgio Passos (guitarra e órgão), Robson Freitas (bateria e percussão), Ulisses França (baixo, guitarra e violão) e Thomé de Souza (baixo e vocal) — a Barbarella B segue incendiando palcos e consciências. Sua música é dança e reflexão, catarse e crítica, festa e denúncia. É a prova viva de que Ceilândia não é apenas cidade-dormitório, mas metrópole criativa, moderna e diversa, capaz de reinventar o rock brasileiro a partir de suas margens.

A Barbarella B é, em essência, um manifesto sonoro. É o grito da periferia candanga, que insiste em dizer que o novo olhar sobre o outro e o outro olhar sobre o novo só podem nascer onde a vida pulsa sem maquiagem. E é nesse pulsar que a banda se torna vanguarda — não por estar à frente de seu tempo, mas por estar profundamente enraizada em seu presente.

BARBARELLA B

 


          Há bandas que se apresentam. Outras, ocupam. A BARBARELLA B pertence a essa segunda categoria — não apenas sobe ao palco, mas o transforma em território simbólico, em espaço de fricção entre passado e futuro, tradição e ruptura, centro e margem.

No último suspiro de setembro de 2025, na mítica Casa do Cantador, durante o festival Rock Periférico, a banda reafirmou aquilo que vem construindo desde 1996: uma obra que não se contenta em existir — ela insiste em significar. Em meio a um line-up pulsante, o grupo ceilandense entregou um espetáculo que flertava com o transe coletivo, costurando música, teatro e poesia marginal em uma narrativa urbana de rara intensidade.




Mas entender a BARBARELLA B apenas pela performance ao vivo seria reduzir sua proposta. Sua sonoridade é, antes de tudo, um laboratório de colisões estéticas. Há ecos da psicodelia de garagem dos anos 60, filtrados pelo espírito inquieto de bandas como The Kinks e Small Faces, atravessados por grooves que dialogam com a black music setentista brasileira e internacional. A isso, soma-se um tempero decisivo: a subversão do samba-rock, aqui distorcido, eletrificado, reimaginado sob a lente do rock alternativo.


        O resultado é um som que dança — mas também tensiona. Riffs viajantes se entrelaçam com batidas densas, enquanto refrões de apelo power pop emergem como respiros melódicos em meio à acidez. É música que convida ao corpo, mas exige escuta. Uma linguagem contemporânea que reverencia o passado sem jamais se curvar a ele.

                   As letras operam no mesmo registro híbrido. Há algo de beatnik, de crônica urbana e de mitologia candanga em suas narrativas. Ceilândia, Brasília e suas fissuras sociais aparecem não apenas como cenário, mas como personagem — vivo, contraditório, pulsante. Episódios históricos, lendas urbanas e conflitos cotidianos são reelaborados em forma de arquétipos, como se a banda estivesse constantemente reescrevendo o folclore do Distrito Federal à luz de guitarras distorcidas e poesia ácida.


No palco, essa construção simbólica ganha corpo. Canções como “Incansável Morador de Ceilândia”, “Trem Fantasma”, “Patchouli” e “Combustão” deixam de ser apenas faixas: tornam-se pequenas peças teatrais, onde cada gesto, cada ruído e cada silêncio compõem uma dramaturgia do asfalto. Não há concessão — apenas entrega.

                   Esse caráter vanguardista, no entanto, não se limita à estética. A BARBARELLA B também atua como agente ativo na cena independente, assumindo uma postura que vai além da própria carreira. Ao longo de sua trajetória, a banda tem incentivado e protagonizado a produção de eventos autorais, criando espaços onde artistas independentes podem existir fora das engrenagens convencionais do mercado. É uma ética de resistência: fazer, organizar, abrir caminho — mesmo quando as estruturas não estão dadas.


Essa postura dialoga diretamente com sua discografia e histórico. Com lançamentos independentes, participações em coletâneas como “AMP.SÔNICA” e presença constante em festivais do DF, o grupo construiu uma trajetória sólida à margem da indústria, mas no centro da relevância cultural local. Não por acaso, permanece como uma das vozes mais autênticas da cena.


Talvez o maior feito da BARBARELLA B seja justamente esse: transformar a experiência periférica em linguagem universal sem diluir sua identidade. Em tempos de padronização estética e algoritmos previsíveis, a banda insiste no risco, na mistura, na fricção.


E, ao fazer isso, lembra — com guitarras, suor e poesia — que a verdadeira vanguarda não está apenas em soar diferente, mas em criar novos caminhos para que outros também possam existir.



terça-feira, 25 de agosto de 2015

CABARET CERRADO CAPITAL

Um Ensaio sobre a Cultura Popular Urbana
O ensaio a seguir trata das relações morais construídas a partir de fatos históricos do Distrito Federal e do Centro-Oeste e do cotidiano do brasiliense, que se tornam folclóricos ao longo do tempo e constituem-se fatores essenciais que contribuem para a construção da identidade do DF.
Essas relações são determinadas por três eixos inter-relacionados: o primeiro eixo é representado pelo indivíduo, o homem, o ser humano habitante originário ou não da região; o segundo eixo é representado pelo espaço, o centro-oeste inóspito e selvagem e, sobretudo, o advento da cidade; e, o terceiro eixo, o tempo, que reúne os três e se configura como a dimensão da existência.
O humano, a cidade e o tempo são os pontos de partida para a construção da trilogia de canções da banda BARBARELLA que traduzem em versos a busca de uma identidade brasiliense. Cada parte da trilogia é composta por três canções que abordam cada eixo inter-relacionado: o eixo ser humano é composto por uma canção que fala de uma personagem, uma canção que fala do papel da capital e uma canção que situa a relação no tempo. Dessa forma, todos os eixos terão abordagens diferentes por intermédio de temas comuns.
Ao todo são nove canções que têm como tema Brasília, a Cidades-satélites, seus personagens e suas lendas, que são representadas, liricamente de forma enérgica, ácida e apaixonada, com uma linguagem contemporânea que incorpora influências de diversos estilos musicais pela banda na trilogia “Cabaret Cerrado Capital”, um ensaio sobre a cultura popular urbana do Distrito Federal.

ROBSON GOMES

sábado, 15 de junho de 2013

O QUE ACONTECERIA SE JEAN-PAUL SARTRE E JAMES BROWN SE ENCONTRASSEM COM O KRAFTWERK E DESSEM UMA CANJA COM OS BEATLES NUMA RAVE NA FEIRA DE CEILÂNDIA ?





O desafio do rock autoral - a música resgatada ao status de arte.

 

Romper as barreiras dos gêneros- não fazer rock, não fazer pop, não fazer samba, não fazer mpb, não fazer funk, ou qualquer outro gênero. Não é mais uma categoria, é a música sem categorias, respeitando a bagagem existencial de cada um dos integrantes – sua historicidade.

Cada canção é um ensaio filosófico e antropológico sobre a pós-modernidade contada por meio de crônicas ou poemas musicados que usam personagens ou fatos ocorridos que passam a fazer parte da história da cidade e são incorporados  pelo imaginário popular e criam formas arquetípicas de conduta moral.

A construção da identidade de Brasília é a construção de uma identidade urbana. Responsabilidade transferida para as cidades-satélites, com contrastes sociais muito mais explícitos. A identidade urbana só é formada mediante a construção de uma ética, que é definida segundo um contexto sócio-econômico e cultural e, atualmente o acesso à informação também tem sido um fator de segregação.

Como toda obra de arte, a música não deve ser apenas absorvida pelo ouvido, mas pelos olhos, pelo cheiro, pelo tato, pelo paladar e principalmente, pela mente. Vivemos sob o império dos sentidos, caindo em suas armadilhas de consumo, sempre aceitando o novo ‘hype’, a arte excita a participação de todos os sentidos em nossa percepção do que está a nossa volta.

O nome da nossa banda é BARBARELLA e foi formada em ’96, na Ceilândia, periferia de Brasília. Muito do nosso som vem desse contexto suburbano, mas com diferenças inusitadas em relação a outras  cidades do Brasil. Aqui nós chamamos de Cidade-satélite.
  A influência desse contexto é a identificação nas canções do contraste entre paradigmas como a modernidade, expressa na arquitetura monumental,  a pós-modernidade, expressa pelo abismo sócio-cultural em que o avanço tecnológico não significa melhoria da vida dos cidadãos,  e um outro que seria o ultrapassamento desses dois, que mantém características dos dois primeiros – o pós-pop, uma espécie de “pós-pós-modernidade”.
Outro fator que caracteriza o som do BARBARELLA é a utilização de equipamentos ‘vintage’ e procurar uma sonoridade mais analógica, com amplificadores valvulados, reverb de mola, gravação em fita de rolo, órgão moog e hammond e as possibilidades de um estúdio analógico caseiro montado pela própria banda onde as experiências de texturas e linguagens podem ser melhor exploradas.
 
 

O SOM DA BANDA BARBARELLA DE CEILÂNDIA!




                    O rock vanguardista do quarteto BARBARELLA que, com uma mistura de rock de garagem e black music nacional dos anos 70 fazem um rock alternativo consistente e moderno, antenado com o que há de mais novo lá fora e aqui, dosam peso com baixo suingado, ritmo e melodia com simplicidade e guitarras eloquentes,  letras inteligentes e refrões ganchudos. Destaque para o batera pesado, seguro e com ritmo.
 

A legítima mistura de rock de garagem e samba-rock, veteranos na cena independente, em 2007 completaram dez anos de estrada. Possuem quatro ep´s independentes e um show envolvente, fazem um rock dançante com influências de anos 60, britpop e black music nacional dos anos 70, letras bacanas e muitas referências ao folclore candango. 


A música “The book is on the Table” da primeira fita-demo está presente também na coletânea AMP.Sônica, do selo Solaris Records de Natal/RN com mais 11 bandas de outras localidades do País.
 

     Muito do som da banda vem desse contexto suburbano onde a periferia é chamada de cidades-satélites cuja realidade é construída pela coexistência da desigualdade social e o status de região metropolitana da capital do país. Esse cenário se traduz em ausência de autonomia política, a baixa auto-estima e o ressentimento dos candangos que vieram construir a capital que não tinha espaço para eles e foram removidos para regiões administrativas, as "satélites" sem infra-estrutura habitacional digna.








 "ELA TEM O AMOR NOS OLHOS E MAL NO CORAÇÃO!"...
..."HOJE UM FILME QUASE ME DISSE UMA VERDADE,
MINHA VIDA PASSOU COMO A 'SESSÃO DA TARDE'"...
..."O MUNDO TEM MUITA GENTE RUIM, 
MAS TEM MUITA GENTE BOA, MÁRIO EUGÊNIO JÁ DIZIA,
A MALANDRAGEM ROLA SOLTA EM PLENA LUZ DO DIA
NAS RUAS DE BRASÍLIA"...

trecho da música "ÀS VEZES TUDO TANTO FAZ" 
do EP HI-FI ESTÉREO lançado em 2003




sexta-feira, 14 de junho de 2013

CEILÂNDIA E O ROCK - Parte I - da origem e periferização da identidade

           


      O Distrito Federal tem como característica peculiar manter o Plano Piloto como centro do poder  e as cidades-satélites (um eufemismo moderno para periferias) orbitando em sua volta.
 
Impulsionados pela expectativa de desenvolvimento, pela procura de oportunidades e pela esperança de melhoria de vida, milhares de brasileiros de todos os cantos migram para o DF desde antes de sua inauguração e são distribuídos geograficamente segundo o nível socio-econômico.

 Um fluxo migratório constante e perpétuo que tem como algumas de suas consequências o aumento da exclusão cultural, resultado do baixo ou nenhum investimento em políticas públicas culturais ou fomento de  movimentos artísticos e opções de lazer.

 A arte fortalece a capacidade cognitiva do indivíduo facilitando a assimilação do conhecimento na escola, criando um espírito crítico e o inserindo em um contexto de interação social que resulta em desenvolvimento socio-cultural. Infelizmente, a educação é um capital humano pouco valorizado.
Essa situação periférica e dependente condenou as satélites a ter uma vocação de cidades dormitórios. Porém, o crescimento populacional também traz diversidade cultural que necessita de alternativas de expressão, pois possui demanda artística e público carente, que acaba se tornando mais vulnerável às armadilhas da comunicação de massa.
A "capital do rock" é só uma lenda, um título, um rótulo, uma marca, um produto ou um personagem que ficou nos anos 80, um mito que alimenta a indústria da mídia e o imaginário popular a pré-fabricada rebeldia de plástico, enlatada e embrulhada para presente, a falsa idéia de contestação e revolta que encobre o conservadorismo e a caretice representada pelo gênero denominado pop/rock brasiliense ou rock candango que sofre do mal nostálgico de reviver os tempos áureos do rock do Plano Piloto nos anos 80. 
Com a velocidade na troca de informações atualmente, muitas bandas conseguem tocar em outros estados e gozam do status de ser uma “banda de Brasília” e são tratados como estrelas do rock . As bandas e o público esperam ser/ver o novo Legião, o novo Capital, o novo Paralamas e os meios de comunicação, mesmo aqueles direcionados ao mercado independente estão nas mãos de poucas pessoas que escolhem quem deve estar ou não em evidência no rock de Brasília.
     O rock de Ceilândia reivindica uma identidade cultural que é construída com perspectivas a longo prazo, mas que depende do esforço diário de cada membro da sociedade para preservar os valores herdados dos pioneiros e dialogar com novos valores apresentados pela atualidade, seus conflitos e suas sínteses.
         É preciso desmitificar a capital para superar ilusões e utopias. É preciso encarar a realidade, a cidade, o ser humano e o contexto(os dois primeiros inseridos no tempo)  suas contradições e seus tabus e traduzir isto em ROCK!

ROBSON GOMES