Mostrando postagens com marcador BARBARELLA B. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador BARBARELLA B. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de maio de 2026

Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga

 

Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga

Brasília, tantas vezes vendida como “capital do rock”, carrega em sua memória coletiva o peso dos anos 80 e a aura nostálgica de bandas que se tornaram símbolos nacionais. Mas enquanto o Plano Piloto se orgulhava de sua estética modernista e de sua rebeldia domesticada, Ceilândia e suas satélites viviam outra história — menos plástica, mais visceral. Foi ali, nas margens, que nasceu em 1996 a Barbarella B, e é dali que se ergue o Manifesto Modo B, um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra o empacotamento da rebeldia em moldes prontos para consumo.

A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.

Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.

A trajetória da banda é marcada pela independência e pela militância cultural. Uma fita demo, três EPs, participação na coletânea AMP.SÔNICA (2000), presença em festivais como Cult 22, Ferrock, Módulo B, Carnarock e tantos outros. Shows em casas e bares do DF e entorno, sempre reafirmando sua identidade autoral. Mais do que ocupar palcos, a Barbarella B produz e organiza eventos, incentivando outras bandas independentes a se apresentarem e a fortalecerem a cena. É uma postura que vai além da música: é compromisso com a coletividade, é resistência contra a lógica que reduz a arte periférica a produto secundário.

O Manifesto Modo B é o pano de fundo dessa história. Nas ruínas do lendário Módulo B, o coletivo se estabelece como alternativa de resistência, abrindo espaço para o rock alternativo e para novas manifestações artísticas do underground. É a afirmação de que a verdadeira contestação nasce da periferia, com autenticidade e suor. Enquanto muitas bandas buscam ser o “novo Legião” ou o “novo Capital”, a Barbarella B reafirma que não há necessidade de suceder ninguém: há necessidade de existir, de criar, de incendiar consciências.

No festival Rock Periférico, na Casa do Cantador, a Barbarella B mostrou por que é uma das bandas mais autênticas da cena. Com suor, intensidade e teatralidade, levou Ceilândia a um transe urbano. Cada acorde foi manifesto, cada riff foi resistência. O público respondeu com entusiasmo, transformando o show em grito coletivo. Não era apenas música: era identidade, era arte que nasce da periferia e se recusa a ser reduzida a produto nostálgico.

Em sua formação atual — Robson Gomes (guitarra e vocal), Sérgio Passos (guitarra e órgão), Robson Freitas (bateria e percussão), Ulisses França (baixo, guitarra e violão) e Thomé de Souza (baixo e vocal) — a Barbarella B segue incendiando palcos e consciências. Sua música é dança e reflexão, catarse e crítica, festa e denúncia. É a prova viva de que Ceilândia não é apenas cidade-dormitório, mas metrópole criativa, moderna e diversa, capaz de reinventar o rock brasileiro a partir de suas margens.

A Barbarella B é, em essência, um manifesto sonoro. É o grito da periferia candanga, que insiste em dizer que o novo olhar sobre o outro e o outro olhar sobre o novo só podem nascer onde a vida pulsa sem maquiagem. E é nesse pulsar que a banda se torna vanguarda — não por estar à frente de seu tempo, mas por estar profundamente enraizada em seu presente.

Brasília pode ter sido vendida como “capital do rock”, mas a sua periferia sempre escreveu outra narrativa — menos plástica, mais visceral, mais verdadeira. Enquanto o Plano Piloto se embalava em rebeldias domesticadas e em ícones dos anos 80 transformados em produto nostálgico, Ceilândia e suas satélites pulsavam em outra frequência: fanzines xerocados, bares improvisados, riffs distorcidos e letras que falavam da vida real. É nesse terreno fértil que nasce, em 1996, a Barbarella B, e é desse mesmo terreno que brota o Manifesto Modo B: um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra a falsa rebeldia que se acomoda em moldes prontos.

A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.

Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.

Linha do tempo comentada da Barbarella B

  • 1996 – Formação da banda em Ceilândia. Nasce como power trio, já com a proposta de unir garage rock e samba-rock em uma linguagem autoral.

  • 1998–1999 – Primeiras apresentações em festivais locais como Bandeit e Ferrock, consolidando sua presença na cena independente do DF.

  • 2000 – Participação na coletânea AMP.SÔNICA, lançada pelo selo Solaris Discos de Natal/RN, ao lado de onze bandas de várias localidades do país. Esse registro marca a inserção da Barbarella B em um circuito nacional alternativo.

  • 2003–2005 – Presença constante no Despertar Cultural e no Festival Cult 22, reafirmando sua identidade autoral e sua militância cultural.

  • 2006 – Atuação no lendário Festival Módulo B, que mais tarde inspiraria o coletivo Modo B, símbolo da resistência cultural periférica.

  • 2009 – Participação na coletânea Zine Oficial, ampliando sua discografia independente.

  • 2010–2020 – Shows em casas e bares de Brasília e entorno, sempre reafirmando sua postura de valorização das bandas autorais.

  • 2024 – Presença marcante no Carnarock, mostrando que a banda segue ativa e relevante quase três décadas após sua formação.

  • 2025 – Apresentação memorável no Rock Periférico, na Casa do Cantador, em Ceilândia. O show é descrito como transe urbano, manifesto sonoro e grito coletivo.

  • 2026 – A Barbarella B segue como quarteto, com Robson Gomes (guitarra e vocal), Sérgio Passos (guitarra e órgão), Robson Freitas (bateria e percussão), Ulisses França (baixo, guitarra e violão) e Thomé de Souza (baixo e vocal).

A Barbarella B é mais que música: é performance, é resistência, é celebração da periferia como centro criativo. Sua arte é um convite a dançar e pensar, a sentir e refletir. É a prova de que o rock candango não é apenas sobrevivência, mas invenção — e que das ruas de Ceilândia brota um som capaz de incendiar corpos e consciências.

O Manifesto Modo B é o pano de fundo dessa trajetória: nas ruínas do Módulo B, o coletivo se estabelece como alternativa de resistência, abrindo espaço para o rock alternativo e para novas manifestações artísticas do underground. A Barbarella B é sua face sonora mais emblemática, reafirmando que a verdadeira contestação nasce da periferia, com autenticidade e suor.

Mais que banda, mais que coletivo, mais que festival: é um novo olhar sobre o outro, um outro olhar sobre o novo. É o grito da periferia candanga, que insiste em existir e reinventar.

Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga

 

Barbarella B e o Manifesto Modo B: ensaio sobre o grito da periferia candanga

Brasília, tantas vezes vendida como “capital do rock”, carrega em sua memória coletiva o peso dos anos 80 e a aura nostálgica de bandas que se tornaram símbolos nacionais. Mas enquanto o Plano Piloto se orgulhava de sua estética modernista e de sua rebeldia domesticada, Ceilândia e suas satélites viviam outra história — menos plástica, mais visceral. Foi ali, nas margens, que nasceu em 1996 a Barbarella B, e é dali que se ergue o Manifesto Modo B, um grito coletivo contra a caretice, contra a massificação cultural, contra o empacotamento da rebeldia em moldes prontos para consumo.

A Barbarella B é mais que uma banda: é tradução sonora de um movimento. Sua música é feita de garage psicodélico dos anos 60, soul e black music dos anos 70, samba-rock distorcido, riffs viajantes e refrões poderosos. É como se os Kinks e os Small Faces atravessassem o Eixo Monumental e encontrassem o samba-rock candango, reinventado sob um olhar periférico. O resultado é um powerpop urbano e sincero, que dança e denuncia, que celebra e resiste.

Suas letras são crônicas urbanas, impregnadas de folclore candango e de fatos que moldaram a identidade periférica: a chacina de trabalhadores na construção de Brasília, o caso Mário Eugênio, a truculência da GEB, as lendas urbanas que se tornam arquétipos de conduta moral. A Barbarella B não foge do conflito — transforma-o em groove. Cada música é peça teatral, cada show é manifesto. Em faixas como Incansável Morador de Ceilândia, Trem Fantasma, Patchouli e Combustão, a banda encena a vida real, e o público não apenas assiste: participa de um transe coletivo, um grito compartilhado.

A trajetória da banda é marcada pela independência e pela militância cultural. Uma fita demo, três EPs, participação na coletânea AMP.SÔNICA (2000), presença em festivais como Cult 22, Ferrock, Módulo B, Carnarock e tantos outros. Shows em casas e bares do DF e entorno, sempre reafirmando sua identidade autoral. Mais do que ocupar palcos, a Barbarella B produz e organiza eventos, incentivando outras bandas independentes a se apresentarem e a fortalecerem a cena. É uma postura que vai além da música: é compromisso com a coletividade, é resistência contra a lógica que reduz a arte periférica a produto secundário.

O Manifesto Modo B é o pano de fundo dessa história. Nas ruínas do lendário Módulo B, o coletivo se estabelece como alternativa de resistência, abrindo espaço para o rock alternativo e para novas manifestações artísticas do underground. É a afirmação de que a verdadeira contestação nasce da periferia, com autenticidade e suor. Enquanto muitas bandas buscam ser o “novo Legião” ou o “novo Capital”, a Barbarella B reafirma que não há necessidade de suceder ninguém: há necessidade de existir, de criar, de incendiar consciências.

No festival Rock Periférico, na Casa do Cantador, a Barbarella B mostrou por que é uma das bandas mais autênticas da cena. Com suor, intensidade e teatralidade, levou Ceilândia a um transe urbano. Cada acorde foi manifesto, cada riff foi resistência. O público respondeu com entusiasmo, transformando o show em grito coletivo. Não era apenas música: era identidade, era arte que nasce da periferia e se recusa a ser reduzida a produto nostálgico.

Em sua formação atual — Robson Gomes (guitarra e vocal), Sérgio Passos (guitarra e órgão), Robson Freitas (bateria e percussão), Ulisses França (baixo, guitarra e violão) e Thomé de Souza (baixo e vocal) — a Barbarella B segue incendiando palcos e consciências. Sua música é dança e reflexão, catarse e crítica, festa e denúncia. É a prova viva de que Ceilândia não é apenas cidade-dormitório, mas metrópole criativa, moderna e diversa, capaz de reinventar o rock brasileiro a partir de suas margens.

A Barbarella B é, em essência, um manifesto sonoro. É o grito da periferia candanga, que insiste em dizer que o novo olhar sobre o outro e o outro olhar sobre o novo só podem nascer onde a vida pulsa sem maquiagem. E é nesse pulsar que a banda se torna vanguarda — não por estar à frente de seu tempo, mas por estar profundamente enraizada em seu presente.

BARBARELLA B

 


          Há bandas que se apresentam. Outras, ocupam. A BARBARELLA B pertence a essa segunda categoria — não apenas sobe ao palco, mas o transforma em território simbólico, em espaço de fricção entre passado e futuro, tradição e ruptura, centro e margem.

No último suspiro de setembro de 2025, na mítica Casa do Cantador, durante o festival Rock Periférico, a banda reafirmou aquilo que vem construindo desde 1996: uma obra que não se contenta em existir — ela insiste em significar. Em meio a um line-up pulsante, o grupo ceilandense entregou um espetáculo que flertava com o transe coletivo, costurando música, teatro e poesia marginal em uma narrativa urbana de rara intensidade.




Mas entender a BARBARELLA B apenas pela performance ao vivo seria reduzir sua proposta. Sua sonoridade é, antes de tudo, um laboratório de colisões estéticas. Há ecos da psicodelia de garagem dos anos 60, filtrados pelo espírito inquieto de bandas como The Kinks e Small Faces, atravessados por grooves que dialogam com a black music setentista brasileira e internacional. A isso, soma-se um tempero decisivo: a subversão do samba-rock, aqui distorcido, eletrificado, reimaginado sob a lente do rock alternativo.


        O resultado é um som que dança — mas também tensiona. Riffs viajantes se entrelaçam com batidas densas, enquanto refrões de apelo power pop emergem como respiros melódicos em meio à acidez. É música que convida ao corpo, mas exige escuta. Uma linguagem contemporânea que reverencia o passado sem jamais se curvar a ele.

                   As letras operam no mesmo registro híbrido. Há algo de beatnik, de crônica urbana e de mitologia candanga em suas narrativas. Ceilândia, Brasília e suas fissuras sociais aparecem não apenas como cenário, mas como personagem — vivo, contraditório, pulsante. Episódios históricos, lendas urbanas e conflitos cotidianos são reelaborados em forma de arquétipos, como se a banda estivesse constantemente reescrevendo o folclore do Distrito Federal à luz de guitarras distorcidas e poesia ácida.


No palco, essa construção simbólica ganha corpo. Canções como “Incansável Morador de Ceilândia”, “Trem Fantasma”, “Patchouli” e “Combustão” deixam de ser apenas faixas: tornam-se pequenas peças teatrais, onde cada gesto, cada ruído e cada silêncio compõem uma dramaturgia do asfalto. Não há concessão — apenas entrega.

                   Esse caráter vanguardista, no entanto, não se limita à estética. A BARBARELLA B também atua como agente ativo na cena independente, assumindo uma postura que vai além da própria carreira. Ao longo de sua trajetória, a banda tem incentivado e protagonizado a produção de eventos autorais, criando espaços onde artistas independentes podem existir fora das engrenagens convencionais do mercado. É uma ética de resistência: fazer, organizar, abrir caminho — mesmo quando as estruturas não estão dadas.


Essa postura dialoga diretamente com sua discografia e histórico. Com lançamentos independentes, participações em coletâneas como “AMP.SÔNICA” e presença constante em festivais do DF, o grupo construiu uma trajetória sólida à margem da indústria, mas no centro da relevância cultural local. Não por acaso, permanece como uma das vozes mais autênticas da cena.


Talvez o maior feito da BARBARELLA B seja justamente esse: transformar a experiência periférica em linguagem universal sem diluir sua identidade. Em tempos de padronização estética e algoritmos previsíveis, a banda insiste no risco, na mistura, na fricção.


E, ao fazer isso, lembra — com guitarras, suor e poesia — que a verdadeira vanguarda não está apenas em soar diferente, mas em criar novos caminhos para que outros também possam existir.



segunda-feira, 13 de novembro de 2023

GDF + PERTO DO CIDADÃO


O som mistura aquele rock clássico do fim dos anos 60 e começo dos 70 — tipo Kinks e The Who — com a energia do funk e do soul de James Brown e Kool Moe Dee. A parada é que eles sabem equilibrar tudo muito bem: trazem uma vibe dançante, mas sem perder o toque retrô, puxando da psicodelia do Velvet Underground e do Pink Floyd da fase Syd Barrett. Ao mesmo tempo, jogam na roda climas mais modernos, como o rock alternativo de My Bloody Valentine e Radiohead, e ainda dão espaço pra música eletrônica, na pegada de Beck, Chemical Brothers e Moby.